Morar no Rio é uma beleza. Embora você pegue trânsitos homéricos, você ainda pode dizer que em São Paulo estaria pior. E olha que essa estória de trânsito quebra na emenda em qualquer grande cidade que eu já tenha vivido (no caso, Rio e Recife, com São Paulo de passeio). Pelo menos no Rio você fica num puta engarrafamento na Lagoa (Rodrigo de Freitas) ou na praia (de Copacabana, Leblon ou Ipanema) e não em qualquer Av. Rebouças (na ladeira), Canal Agamenon Magalhães (fedendo) ou Av. Norte (nem me fale).
Digo isso com base. Quando nos meus últimos tempos em Recife, morava na Jaqueira e trabalhava em BV (uns 9,5 km segundo o Google Earth) e levava uns bons 60 minutos de viagem, tendo que pegar dois ônibus pra ir e dois pra voltar. Pelo menos tinha o alento gostoso do croissant misto da Diplomata lá da Domingos Ferreira pra me alegrar (eu chegava lá lá pelas 9h da manhã, e adivinha de que horas tiram o bendito do forno...).
Hoje moro no Flamengo, aqui no Rio, e trabalho na Barra da Tijuca. São uns 25 km de ida e mais 25 km de volta (de ônibus) todos os dias. Pego 1 pra ir e 2 pra voltar, porque no Rio tem uma coisa engraçada (pra não dizer idiota) de ter ônibus que vai por uma linha e volta por outra (não passando pela minha casa, óbvio). Aliás, chega ao cúmulo de ter um ônibus com o mesmo nome e número, mas com três caminhos diferentes (o famigerado 175, você tem que ficar ligado se é Orla, Linha Amarela ou se é o normal que pega todo o trânsito da Zona Sul do Rio, vem dizendo numa plaquinha encaixada entre o vidro e o painel do motorista; coisa de gênio). Mas apesar dos 15,5 km a mais, tem vezes que em 50 minutos eu tô em casa (2 h foi o máximo de tempo e 30 minutos o mínimo; pense num motorista louco). Sem falar que, como tô de ônibus, quando eu pego engarrafamento eu posso ler um livro, tirar um cochilo (ambos eu já podia fazer em Recife) ou simplesmente apreciar a paisagem (a vista do elevado Lagoa-Barra é foda, mas tem ainda a da Av. Niemeyer, que é mais foda ainda, a do Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo, que vê o Cristo de um lado e o Pão de Açúcar do outro e termino no Aterro do Flamengo).

O problema do meu trajeto é um só (fora o saco de faze-lo todo dia), aqui é como o Buscapé diz no filme ‘Cidade de Deus’: “se corre o bicho pega e se ficar o bicho come” (mas sem câmera style rodando em volta de mim). Isso porque eu tenho sempre que ficar ligado na Globo Online pra ver se tá rolando babilônia na Rocinha ou no Vidigal, pois esses são os dois caminhos mais viáveis pra eu voltar pra casa (de outra forma eu tenho que dar a volta no Rio - literalmente – indo pelo Alto da Boa Vista ou pela Linha Amarela até a Central pra de lá ir pra casa). Bom, não pra ser 100% nunca né? Por enquanto eu fico feliz em citar a clássica “da janela eu vejo o corcovado, o Redentor; que lindo”. Só que no meu caso a janela é de um 382 ou S-20 e não de um avião pousando/decolando do Santos Dumont.




